sábado, 27 de outubro de 2012

Resenha - Entre o Céu e o Mar; Uma odisséia além do ocano - Robson Gundim




A grande maioria dos leitores brasileiros, digo maioria, porque há exceções, tem preconceito contra o autor nacional. Não sei se devo, mas vou confessar que eu também possuía certa restrição. Graças a Deus, abri meus olhos a tempo e descobri verdadeiras preciosidades na Literatura Brasileira. E hoje sou mais fã dos escritores nacionais que dos internacionais.

Meu mais novo achado foi o jovem escritor baiano Robson Gundim. Jovem pela idade e jovem também na carreira. Mas de um talento para poucos. Talento para a escrita e talento para as ilustrações que fez da sua própria história.

Vamos deixar de lero-lero e ir direto ao que interessa? Para os amantes de filmes como Piratas do Caribe, trata-se de uma odisseia marítima, denominada “Entre o Céu e o Mar”. É uma aventura dos irmãos Annette e Vasseur Legrand que seria digna de Hollywood, com absoluta certeza.

Uma frase que me encantou, logo de início: “Nas janelas de sua alma, força e coragem eclodiam sem cessar”. Já denota a força do personagem e a que veio.


A história se inicia nos montes Apuseni, na Transilvânia, para onde fui levada a uma paisagem surreal e a uma época que me deixou maravilhada pelas roupas e costumes de 1670 (adoro filmes e histórias épicas). E, quando menos espero, estou eu dentro de uma nau a caminho de San Juan. Numa trama espetacular.

O enredo, a trama e os personagens nos envolvem de tal maneira que me senti, na verdade, Annette desbravando os mares da América Central.  Senti o fedor do porto de Tortuga, vi a Taverna com seus detalhes que me fizeram coçar o nariz por diversas vezes e ainda estive na ilha de Isla Desecheo, fiquei em pânico quando quase caí no Abismo do medo: “Eles foram encaminhando pela borda circular do buraco, enquanto Annette esperava a subida Vasseur. A ventania açambarcava no seu alcance, vibrando-lhe o corpo e a alma. Abismo do medo... Do fundo da coisa — se é que abismo tinha fundo — subia em ecos profundos a canção preamar... E de repente, percebeu sob sua distração os pés de Vasseur a escorregarem”.

Aí ficamos em uma torcida, quase organizada, em ajudá-los a se livrar da enrascada que se meteram e, em muitas vezes, até opinando mentalmente o que poderiam fazer. Está é a melhor parte, quando mergulhamos de cabeça na história.

Enfim, impressiona pelos detalhes, e as pontas soltas não atrapalham e não depreciam, pelo contrário, nos fazem pensar e querer outro volume para que saciemos a nossa vontade de saber o que aconteceu!

E os desenhos que ilustram o livro, não precisariam de palavras, pois eles falam por si. Demonstram o talento do jovem escritor.

Bom, não vou ficar aqui revelando a vocês o ápice desta magnífica história, pois posso garantir que se trata de uma aventura e tanto. Quero agradecer esse escritor, pelo talento e pelo presente que pode contribuir para a Literatura Nacional. Com um futuro promissor, esse autor promete!

Entre o Céu e o Mar é uma história que mexeu comigo; Annette Legrand ficará para sempre em minha memória. Vale a pena conferir!

Nota final para enredo, trama e afins: 9,0
Nota final para as ilustrações: 10,0

                                                                                             Por Glau Tambra